quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Pirâmide de 21 metros nasce na zona sul de Porto Alegre - Por André Mags



Líder religiosa mantém 20 templos de diferentes religiões no bairro.


Uma pirâmide de 21 metros de altura desponta em meio à vegetação na zona sul de Porto Alegre. Não é de pedra nem tem mais de 4,5 mil anos, e sim metálica e com menos de 30 dias de existência. 

Equiparável a um prédio de sete andares, é mantida por uma mulher que costuma jogar os cabelos loiros com mechas brancas e vermelhas para os lados com meneios rápidos da cabeça. Ela olha para você e, decidida, já diz alguma coisa poucos segundos depois:

“Você está estressado”. “Ahm, é, s-sim”! “Você precisa escrever um livro”. “Ééé...” “Cuidado com um acidente na viagem para Santa Catarina”. “Oh”.

A capacidade de adivinhar tudo assim é um reflexo do aprendizado de Maria Correa dos Santos, mais conhecida como Mestra Tala, ao longo de seus 62 anos de vida. Ela capta bem o jeito e o comportamento dos seres humanos. Ou, muitos dizem, trata-se de uma vidente. Não à toa, Mestra Tala recebe governantes e artistas em busca de orientações. Ela não revela quem são, mas até governadores estão na lista.

Mestra Tala vive e atende sua clientela em um canto tranquilo e bucólico no bairro Lami, distante 30 quilômetros do centro de Porto Alegre. Trata-se de um terreno ecumênico, sincrético, por isso Mestra Tala se denomina uma "líder religiosa universalista".

Bem, a pirâmide. Chama-se Pirâmide das Curas Mãe Gedi e fica em cima de um monte de cristais, que servem para ampliar a energia na estrutura. Tala conta que teve uma visão da pirâmide em 1972, época em que o ponto exato onde a construção está hoje era um banhado. Há quatro faces perfeitas na pirâmide, dedicadas à água, ao fogo, à terra e ao ar. No topo, um cristalzão pende, amarrado, e também serve para ampliar a energia.

Mas por que tanta energia? É para curar. Mestra Tala pega você e o senta em um sofá em forma de flor de lótus e você fica ali, ouvindo a natureza e a voz de Mestra Tala ricocheteando que nem pluma em algodão pelas paredes da pirâmide e então, já viu, você pode dormir, mesmo. Se há algo que emana de todos os lados, mais do que energia, é a paz, que em um dia quente e ventoso pode ser ainda mais sonolenta. E é assim que se começa uma cura.

No espaço são tratadas doenças psicossomáticas, males provocados pelo consumo de álcool e drogas e enfermidades gerais do corpo. Mestra Tala reforça que tem "verdadeiro fascínio pela cura". Está sempre preocupada com os joelhos das pessoas, em nossa visita, no último dia 5, apontou para que eu, o fotógrafo Diego Vara e o motorista José Carlos Militão cuidássemos dessa parte do corpo. Mas deixa claro: 

"Não estamos aqui para fazer o trabalho dos médicos, mas para ajudar as pessoas a encontrar o seu equilíbrio interior e poder absorver na integralidade o que o tratamento clínico pode lhes dar", pondera, em um texto sobre a inauguração da pirâmide, ocorrida em 23 de novembro.

Aí, uma grande aranha preta atravessou o chão da pirâmide. Mestra Tala a acompanhou com os olhos. Sorriu: “Estamos no meio do campo”, né?

Então fomos para o campo. No entorno da pirâmide há outros 20 templos. Tem um dedicado à maçonaria, outro a religiões indianas, rituais aborígenes, cristianismo. Todos guardam uma infinidade de imagens, estátuas e artigos trazidos de diversos pontos do mundo pela mestra. 

O conjunto todo se chama Templo Universal da Paz Pai Francisco de Luanda, e foi fundado em 1950 pelo pai dela, Luis Carlos Correa da Silva. A base é a umbanda branca. Um plano para o futuro é construir uma mesquita islâmica. “É a única religião que ainda não tem”, explica.

O dinheiro que financia tudo isso vem dos búzios e das cartas jogadas por outros mestres e médiuns que trabalham no local. Os tratamentos de saúde são gratuitos, reforça Tala.


Naquela sexta-feira, fazia um calor egípcio. Ao circular pelo terreno, Mestra Tala entrou em um templo colorido enfeitado por objetos indígenas. Era o Templo Xamânico, um dos mais interessantes do conjunto todo. 

O chão é de terra e, no meio, em um buraco redondo cercado por uma mureta, descansam galhos secos de plantas aromáticas. Tala riscou um fósforo. O fogo que tomou conta do templo deixou tudo tão quente, mas tão quente, que do lado de fora parecia que a primavera havia se transformado em outono.




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