segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Muçulmanos mantêm planos de expansão no Brasil de sua fé


Apesar dos atentados dos terroristas do Estado Islâmico e da Al Qaeda, que acabam afetando a imagem do islamismo como religião de paz, as lideranças islâmicas no Brasil não desistiram dos planos de ampliar aqui a divulgação de sua fé e obter novos seguidores.


Nasser Fares, presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana e administrador da Mesquita Brasil, afirmou ao jornal Valor Econômico que se mantêm de pé os planos para a criação de uma revista e de uma TV, de modo a levar a mensagem islâmica a mais brasileiros e ampliar os espaços de oração.

A Mesquita Brasil é a mais antiga da América Latina. Nos dias de oração, às sextas-feiras, ela fica lotada por 600 fiéis. Cada um deles é estimulado a doar o zakat (equivalente ao dízimo das religiões cristãs), que corresponde a 2,5% dos rendimentos líquidos. A arrecadação é utilizada na manutenção da mesquita e na ajuda a pobres.

Os dados do Censo do IBGE de 2010 mostram que naquele ano havia no Brasil 35.167 muçulmanos. Mas de acordo com dados de entidades islâmicas, o número de muçulmanos no Brasil seria de pelo menos 1,2 milhão. Não há detalhes sobre esse levantamento.

Parte do contingente de muçulmanos no Brasil se deve à entrada no país de pessoas que vêm de regiões de conflitos. Registros da Agência das Nações Unidas para Refugiados revelam que de janeiro de 2010 a outubro de 2014 o total de 1.524 sírios obtiveram asilo político no Brasil. 

Na medida do possível, organizações islâmicas têm providenciado alimentos, roupas e moradia a esses refugiados, até que arrumem emprego.

Fares disse que o governo brasileiro, além de liberar o visto de entrada, deveria ajudar ps sírios e demais refugiados a se fixarem no país. "Mas não temos um canal de comunicação com o governo. Não sabemos a quem procurar."

Ali Zoghbi, vice-presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, admitiu que a repercussão dos atentados dos radicais islâmicos podem ter efeitos negativos no Brasil. Em São Paulo, por exemplo, uma muçulmana foi alvo de uma pedrada, que machucou a perna dela.

Zoghbi argumentou que islamismo tem 1,8 bilhão de seguidores no mundo e que é um erro e falácia reduzi-lo a um bando de marginais. A federação tem sede em São Paulo e congrega 45 das 98 entidades islâmicas do Brasil.

Para os muçulmanos, não existe conversão ao islamismo, mas “reversão” porque eles acreditam que todas as crianças já nascem obedientes a Deus. O significado da palavra “Islã” é submissão a Deus.

Na puberdade, a partir da primeira ejaculação e menstruação, entre 9 e 15 anos, os jovens deixam de ser puros e precisam se “reverterem” para o Islã, através das práticas determinadas pelo Alcorão. É a partir dessa época que as adolescentes precisam usar véu.

As “reversões” são mais frequentes entre 20 e 40 anos de idade, segundo estudos. A antropóloga Lídice Meyer Pinto Ribeiro, professora de religião na Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirmou que o islamismo, apesar de ser uma religião conservadora, está atraindo os jovens em decorrência talvez de uma crise de valores éticos.

Assim, segundo ela, os jovens passaram a buscar no conservadorismo religioso o que “as gerações anteriores falharam em transmitir”. O jornalista João Luiz Rosa apurou que no Brasil há muçulmanos em todas as regiões e classes sociais.

A mais conhecida concentração de muçulmanos fica em Foz do Iguaçu, mas a tendência de crescimento está migrando para as regiões periféricas de grandes centros, como bairros do Grande ABC paulista.




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