sexta-feira, 6 de março de 2015

Unesco chama destruição de cidade assíria de "crime de guerra" do EL

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) chamou de "crime de guerra" a destruição da cidade assíria de Nimrud, no Iraque, por integrantes da milícia radical Estado Islâmico.

As primeiras imagens da demolição do patrimônio histórico foram exibidas nesta quinta-feira (05/03). Os radicais islâmicos usaram escavadeiras e tratores para destruir as ruínas da cidade, que foi fundada no século 13 a.C.

Em comunicado, a diretora da entidade, Irina Bokova, fez um apelo aos dirigentes políticos e religiosos da região para evitarem a destruição, a qual qualificou como um ato de barbárie, e à comunidade internacional para conter os extremistas.

"A limpeza cultural de que é objeto o Iraque não para diante de nada nem de ninguém: tem como objetivo a vida humana e as minorias, além de ser acompanhada pela destruição sistemática de um patrimônio milenar da humanidade", destacou.

A diretora da Unesco disse também ter informado ao presidente do Conselho de Segurança da ONU e ao procurador-geral do Tribunal Penal Internacional sobre o tema. Segundo a presidente do Comitê de Turismo e Antiguidades da província de Ninawa, Balquis Taha, mais de 50% das ruínas assírias de Nimrud foram destruídas pelo Estado Islâmico.

Taha afirma que a maior preocupação das autoridades é com o destino de duas estátuas de touro alados, datadas do século 13 a.C. Para ela, os extremistas tratam as antiguidades de "maneira bárbara e imoral, sem respeito ao patrimônio iraquiano".

Na quinta, o Iraque pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU sobre o caso. Na opinião de arqueólogos, o caso de Nimrud é equiparado à destruição dos budas de Bamiyan, no Afeganistão, feita pelo Taleban em 2001. 

Para os especialistas, será difícil quantificar os prejuízos, porque muitos artigos de valor inestimável foram destruídos, incluindo artefatos de Hatra, cidade no norte do Iraque com colunas de mais de 2000 anos.

Idolatria

O grupo radical islâmico considera a manutenção de qualquer resquício das civilizações anteriores ao nascimento de Maomé e de outras religiões como uma forma de idolatria e consideram hereges os muçulmanos xiitas. Nimrud, a 30 km de Mossul, foi fundada por volta de 1250 a. C.

Quatro séculos mais tarde, tornou-se a capital do novo Império Assírio, na época, o Estado mais poderoso da terra, que se estendia até o atual território do Egito, Turquia e Irã. 

Muitos de seus mais famosos monumentos sobreviventes foram removidos do local há anos por arqueólogos, incluindo colossais touros alados, agora no Museu Britânico, em Londres, e centenas de pedras preciosas e moedas de ouro levados para Bagdá. Mas ruínas da cidade antiga permanecem no local, escavado por uma série de especialistas desde o século 19.

Alguns dos itens foram saqueados pelos extremistas para que sejam vendidos no mercado negro da arqueologia. Em 26 de fevereiro, o EI divulgou um vídeo pela internet no qual mostrava seus integrantes destruindo dezenas de figuras do Museu da Civilização de Mossul, algumas delas assírias.

Um dos jihadistas que aparecia no vídeo justificou o ato de vandalismo afirmando que os povos da antiguidade adoravam a ídolos "em vez da Alá", e que o próprio profeta Maomé destruiu com suas próprias mãos figuras similares.








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