domingo, 29 de março de 2015

Frei Betto faz críticas ao governo Dilma em Salvador – Por Davi Lemos



Frei Betto, frade dominicano e escritor, voltou a fazer críticas nesta sexta-feira, 27/03, às políticas adotadas pela presidente Dilma Roussef (PT) no início do segundo mandato. 

"Se um brasileiro tivesse agonizado em agosto (de 2014) e tivesse acordado agora, ele ia dizer: Aécio ganhou", comentou o religioso, que foi assessor do ex-presidente Lula entre 2003 e 2004 e coordenador de mobilização social do programa Fome Zero.

O religioso, que palestrou nesta sexta na arena do Teatro Sesc/Senac, no Pelourinho, dentro da programação do Festival do Sagrado, ressaltou que sua crítica é mais à esquerda, apontando que seus protestos estão mais ligados às manifestações de 2013 que às que ocorreram no último dia 15 de março. Ele disse que o erro do governo foi não ter investido em bens sociais. 

"Afirmou-se que não havia dinheiro para pôr em transporte público", exemplificou. "Mas aí apareceram as 12 arenas para a Copa das Confederações, e a mentira apareceu".

Frei Betto também criticou o corte de R$ 14 bilhões na educação, apontando, com ironia, que o lema do segundo mandato de Dilma é "pátria educadora". O religioso da Ordem dos Pregadores disse ainda que considera todas as manifestações altamente positivas. 

"Houve um acirramento da polaridade, entre aqueles que apoiam o governo e aqueles que o criticam", comentou. Mas pontuou que os opositores foram mais inteligentes ao convocar seu ato para um domingo, quando as pessoas e as ruas estão livres.

Mas, sobre os protestos, pontuou: "O que mais me chama a atenção é como as manifestações são de protesto e não têm proposta". Frei Betto disse que saiu do governo Lula após o esvaziamento do programa Fome Zero, que ele classificou como realmente emancipador. "O Bolsa Família é um bom programa, mas não é emancipador", comentou.

Comentando a situação da América Latina, o religioso disse que a crise vivida atualmente na Venezuela, onde membros da oposição chegam a ser presos ou mortos, é resultado de uma carência de formação política da esquerda. 

"Há eleitores, filiados, apoiadores, mas não há militantes". Ele diz que o segundo erro foi administrativo, pois não se criou condições de sustentabilidade para as políticas sociais. "Isso ocorre agora também no Brasil, e os cortes atingem os mais pobres", pontuou Betto.

Igreja Católica

No âmbito da Igreja Católica, ele diz que há um momento de mudança. Mas comentando as recentes elevações aos altares do papa João Paulo II e do bispo de San Salvador Dom Óscar Romero, opinou: 

"Respeito muito o papa Francisco, mas não considero o papa João Paulo II um exemplo de santidade, mas há quem o considere. Porém Óscar Romero foi fundamental. Ao beatificar Oscar Romero há um reconhecimento explícito, uma sacramentalização da Teologia da Libertação".


O dominicano Frei Betto é, ao lado de teólogo Leonardo Boff, um dos maiores expoentes desta teologia, também chamada de Teologia Latino-americana. Entretanto Dom Oscar Romero, agora beatificado, foi amigo de São Jose maria Escrivá, fundador do Opus Dei, considerado um dos movimentos mais conservadores dentro da Igreja, e que foi elevada a prelazia pessoal do papa, justamente no pontificado de João Paulo II.



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