domingo, 29 de março de 2015

Papel das organizações cristãs no desenvolvimento pós-2015 - D. Auza



Na sua intervenção em Nova York, na sexta-feira 27 de março, o Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, D. Bernardito Auza, falou da importância do diálogo inter-religioso na agenda de desenvolvimento pós-2015, tendo começado por sublinhar a importância do diálogo inter-religioso, intercultural e inter-civilizacional na promoção do desenvolvimento humano e social.

D. Auza falou antes de tudo do papel das religiões e das organizações baseadas na fé na conquista do primeiro e fundamental objectivo da erradicação da pobreza; e em seguida, comentou sobre a ligação entre o diálogo inter-religioso, intercultural e inter-civilizacional e o desenvolvimento, na promoção de sociedades justas e pacíficas, sem as quais o desenvolvimento sustentável não poderá ser alcançado.

Porque uma enorme instituição financeira como o Banco Mundial, ou uma grande organização internacional como as Nações Unidas, se devem voltar para as religiões e suas organizações para melhor assegurar a realização dos objectivos de desenvolvimento sustentável?, perguntou-se D. Auza.

Certamente pelo reconhecimento das contribuições das religiões e suas organizações para a vida dos indivíduos e das sociedades, em particular, do apoio que prestam àqueles que tentam emancipar-se das várias formas de pobreza extrema.

De facto, observou Dom Auza, segundo o presidente do Banco Mundial, Dr. Jim Kim, mesmo com as previsões mais optimistas de crescimento para os próximos 15 anos, o mundo ainda não conseguiu erradicar a pobreza extrema. 

Dos 14,5% actuais da população do mundo extremamente pobre, o número só poderia ser reduzida para 7% até 2030. Contudo, com a colaboração de organizações baseadas na religião e outras organizações cívicas, podemos reduzir esse número para apenas 3% em 2030. Em números reais, isso é uma contribuição significativa.

D. Auza disse ainda que, as religiões e organizações baseadas na religião, apesar das suas contribuições, não pretendem ser o que não são. Do ponto de vista católico, as religiões e organizações religiosas não são entidades económicas ou políticas; elas não são nem um Banco Mundial paralelo nem um paralelo das Nações Unidas, e nem são idêntica a ONGs não baseadas na  fé. 

A sua  força, disse,  não está nos recursos materiais ou conhecimentos científicos, que são, de facto, muito úteis na luta para a erradicação da pobreza extrema, mas no facto de que são uma força espiritual e uma bússola moral, no facto de que tornam “capazes” indivíduos e sociedades de reconhecer e respeitar a dignidade inerente a cada pessoa humana.

Embora inspiradas principalmente por uma missão espiritual e moral, as religiões e as organizações baseadas na fé se interessam pelo florescimento de toda a pessoa humana. E isto porque o progresso humano é parte integrante da sua visão e missão, para além dos locais de culto elas também constroem centros para o fortalecimento da comunidade, hospitais, escolas e universidades. 

Por serem enraizadas localmente, elas têm conhecimento de primeira mão das muitas formas de pobreza e desigualdades. Têm credibilidade da base e experiência baseada em evidências. A sua presença local favorece o diálogo entre os grupos de base. Unidas por uma rede universal, elas são defensoras eficazes para causas como a erradicação da extrema pobreza e a promoção de sociedades justas e pacíficas.


Ao trabalharem para libertar os povos da pobreza, as religiões e organizações baseadas na fé lutam para resolver as causas estruturais da pobreza, a injustiça e a exclusão, disse D. Auza, citando o Papa Francisco que nos exorta a dizer não a um sistema financeiro que governa em vez de servir, um sistema que produz desigualdades em vez de prosperidade partilhada.



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