quinta-feira, 18 de junho de 2015

Tráfico de arma falsa camuflado pela religião em Aparecida – Por Francisco Edson Alves



A Polícia Civil de Aparecida investiga a atuação de uma quadrilha que se aproveita da religiosidade na cidade do interior paulista para vender armas falsas importadas. 

Segundo o delegado Adilson Antônio Marcondes dos Santos, nas últimas operações de agentes civis e militares no município, foram apreendidas mais de 1,5 mil réplicas de fuzis, rifles, carabinas, metralhadoras, revólveres e pistolas, de diversos calibres. 

As cópias, segundo Adilson, importadas da China, foram apreendidos em diversos pontos da cidade, e teriam como principal destino o Centro de Apoio aos Romeiros, dentro da área do Santuário Nacional de Aparecida, o maior monumento do mundo dedicado à Santa Padroeira do Brasil. 

No local, onde existem 380 lojas, conforme o jornal O DIA mostrou com exclusividade através de fotos e vídeos, alguns comerciantes descumprem o Estatuto do Desarmamento e vendem armas de brinquedo.

Depois da divulgação da reportagem, nesta quarta-feira, os lojistas retiraram os produtos das prateleiras. Só na última apreensão, a maior delas, em Agosto de 2014, policiais civis recolheram 800 imitações de armas. 

“Há indícios da atuação de grupos criminosos, que utilizam Aparecida para distribuir armas falsificadas para todo o país, uma vez que a cidade recebe gente de todos os estados”, revelou Adilson. “Os bandidos acreditam que em Aparecida, sendo a capital da fé nacional, a ação não levantaria suspeitas”, afirmou o delegado. 

Nos últimos dois anos, o derrame de armas de brinquedo teria se acentuado no município, segundo ele. Adilson se disse impressionado com a ousadia das quadrilhas e com a “incrível semelhança” das armas de brinquedo com as verdadeiras.

“Várias delas têm até o peso parecido com as reais. Nas mãos de criminosos, são usadas em assaltos, sequestros-relâmpago e outros delitos”, advertiu, detalhando que não raramente assaltantes presos em outros estados com armas de brinquedo, confessam ter comprado os produtos em Aparecida. 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou que as arquidioceses têm autonomia para tomarem decisões nesse tipo de situação. Em nota, a administração do Santuário de Aparecida reiterou sua posição contrária à atitude de alguns comerciantes ao redor da Basílica e que fará uma campanha de conscientização dos perigos que o descumprimento da legislação representa para fiéis e visitantes. 

A Arquidiocese do Rio de Janeiro, por sua vez, ressaltou que não comenta acontecimentos de outras arquidioceses. Segundo a assessoria de imprensa, o que aconteceu em Aparecida não existe no Rio. “As paróquias sequer têm espaço para venda. E, quando têm, os artigos não são de cunho comercial”.




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