segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Para quê os russos querem uma pirâmide? – Por Aliona Rakitina

Se pensar que as pirâmides são exclusivamente uma obra das antigas civilizações terá de enfrentar a realidade: os arquitetos modernos não esquecem a glória dos antigos construtores e tentam competir apresentando as suas próprias versões dessas obras de culto. Tais como as de Alexander Golod que construiu na Rússia uma rede de pirâmides.

Tudo começou ainda no início dos anos 90, quando florescia todo o tipo de pseudociências sobre energia especial, espiritismo e outros fenômenos paranormais. Quando as pessoas ficaram, depois do desmoronamento da URSS, praticamente privadas da esperança num futuro comunista radiante, parecia não restar outra coisa em que acreditar. 

A ideologia soviética substituía a religião. Tendo perdido a sua fé, o país entrou em convulsões buscando sofregamente algo que colmatasse o vazio que surgiu na sua alma. Todo o tipo de videntes e especialistas em bioenergética não se fizeram esperar e começaram a apresentar alternativas…

Um deles era o engenheiro russo Alexander Golod. Durante a Perestroika ele se dedicou seriamente ao estudo da influência das pirâmides sobre o ambiente e a saúde do ser humano, tendo dado início à construção de pirâmides segundo um projeto próprio, não só em muitos pontos da Rússia, mas também numa série de países da Europa. Há informações sobre pirâmides de Golod em França e na Itália: em Nice e nos arredores de Roma.

Contudo, a sua pirâmide mais famosa é de direito a sua pirâmide com 44 metros de altura situada no quilômetro 38 da rodovia Moscou-Riga. Atualmente esse local é uma espécie de destino de peregrinação de muitos turistas que visitam a região de Moscou. Ela foi construída em fibra de vidro pelo princípio da Proporção Áurea. 

Segundo os estudos do seu próprio criador, a pirâmide realiza verdadeiros milagres. Ela pode resolver problemas de cidades e territórios com desequilíbrios ambientais; reduz os problemas epidemiológicos; ajuda a combater as dependências das drogas e do álcool; previne calamidades naturais; protege as pessoas que vivem perto de aterros de resíduos nucleares, químicos e bacteriológicos.

Mas de que forma? O criador da pirâmide afirma que ela é capaz de retificar o espaço deformado pelo uso irracional dos recursos naturais e pelas atividades nocivas do homem sobre o mundo que o rodeia e restaurar a harmonia nos territórios envolventes graças a uma emanação de energia “positiva”.

Foram referidos numerosos pacientes agradecidos, que depois de terem estado dentro da pirâmide melhoravam a olhos vistos. Àqueles que não conseguiram se curar totalmente durante a permanência dentro do objeto sagrado era-lhes proposta a aquisição no local de uma cópia da pirâmide de dimensões reduzidas para recuperar o equilíbrio energético em sua própria casa.

Contudo, não temos quaisquer provas científicas fidedignas dessas curas verdadeiramente bíblicas, assim como da melhoria da situação ambiental, além dos estudos realizados pela equipe de Alexander Golod. Mas seriam eles imparciais?

Entretanto as pessoas afluem às pirâmides de Golod em busca de milagres, esperando que elas se pareçam ao menos um pouco com as grandes pirâmides do Egito pela sua força e pelo seu poder. O próprio Alexander Golod foi breve na caraterização das suas obras:

“As pirâmides são uma ferramenta. Nós escolhemos a forma e as regras de construção ótimas, com o máximo benefício para o homem e para a natureza. As pirâmides do Egito tinham os seus próprios objetivos que podemos apenas adivinhar.”

Esperemos que as pirâmides de Golod, se não ajudarem a “harmonizar” o espaço envolvente, pelo menos não causem danos. Se elas não forem um remédio, ao menos que sejam um placebo. O principal é que elas não sejam um veneno muito bem camuflado…





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