segunda-feira, 30 de março de 2015

Noventa mil pessoas comemoraram o aniversário da cidade em shows gratuitos no fim de semana – Por Laura Fernandes



Se o baiano é conhecido por ser festeiro, o aniversário de Salvador não podia ser diferente. Só no fim de semana, 90 mil pessoas foram aos shows espalhados pela cidade. O maior público foi o de Maria Bethânia: 50 mil foram à Barra.

Cadeirantes, fãs se apoiando na bengala, casais de mulheres, fiéis, ateus, jovens, idosos, freiras e padres. A diversidade estava presente na Praça Castro Alves, ontem, que reuniu cerca de 10 mil pessoas no encerramento do Festival da Cidade, segundo estimativas da prefeitura e da Polícia Militar. 

No dia do aniversário dos 466 anos de Salvador, a primeira capital do país teve direito a bolo, parabéns, fogos de artifício e show  gratuito do padre Fábio de Melo, que recebeu os soteropolitanos com seu ar de pop star.

Devoto, o público plural cantou cada letra e refrão e ouviu atento e emocionado às pregações do padre mineiro, que apresentou o repertório do disco Solo Sagrado (2014). 

“É uma honra para mim, sobretudo hoje, que estou voltando de um roteiro de dez dias de peregrinação na Itália. A música por excelência é religiosa e tenho o prazer de fazer com que meu sacerdócio possa estar também pelos povos”, disse o padre, que acumula mais de 4 milhões de curtidas no Facebook.

Questionado sobre o sincretismo religioso do povo baiano, ele defendeu que “o encontro de religiões é muito bem-vindo”. 

“Rezamos todos separados e depois nos juntamos para matar a fome dessa gente. Salvador é um lugar das diferenças e o sincretismo é muito grande, mas é um lugar de paz, que não tem conflito de religiões”, opinou.

Devoção

Na frente do palco e com um terço na mão, a psicóloga Ivna Beck, 54 anos, garantiu que faz tudo pelo religioso. 

“Padre Fábio tem vários dons do espírito santo. Ele consegue colocar verdade de maneira simples e com sensibilidade ao cantar. Tem o dom da oração. Merece ser visto. Onde ele for, eu vou!”, contou a fiel.

Já a fotógrafa Anne Mello, 21 anos, que estava acompanhada da esposa, a secretária Taiane Caldas, 23 anos, afirmou que não estava ali pela religião. 

“Sempre acompanho ele, mesmo não sendo católica. Ele passa mensagens sobre o amor, ele transmite para a gente, pra gente transmitir também. Para mim basta”, disse a fotógrafa, que chegou cedo para garantir um lugar na frente, já que, segundo ela, no show de Maria Bethânia, passou sufoco para ver a diva.

Comemorações

O show do padre Fábio de Melo marcou não só o encerramento do Festival da Cidade, mas também, o início das comemorações da Semana Santa. Esse foi o ponto alto do dia, mas os festejos pelos 466 anos de Salvador começaram cedo, com um espetáculo em homenagem à cidade, por volta das 17h45. 

Salvador, 466 Anos de Paz reuniu 466 baianas, 466 capoeiristas e 466 percursionistas em um grande abraço simbólico à aniversariante, na Praça Castro Alves, em frente à estátua do poeta. Juntos, eles cantaram parabéns, carregaram bolo e se apresentaram sob as luzes de um show pirotécnico.

Também em clima de festa, o padre Fábio de Melo cantou Parabéns no ritmo da música Cara Caramba, Sou Camaleão. Ele recebeu no palco um buquê de girassol e astromélia em nome de dom Murilo Krieger e do prefeito ACM Neto. 

“Muito obrigado. Agradeço a dom Murilo e ao nosso prefeito ACM Neto pela oportunidade, pelos 466 anos dessa cidade que vem sendo um orgulho para o Brasil”.

Já o prefeito ACM Neto avaliou como muito positivo o Festival da Cidade. “Foi um sucesso. Quando a gente faz aniversário, a gente pensa no futuro e a cidade vem melhorando cada vez mais”, disse. Ele aproveitou para fazer um balanço do festival: “Foi muito boa a quantidade de pessoas nas ruas e um dos pontos altos foi o show de Maria Bethânia. Foi o maior público que o Farol da Barra já reuniu. Esse é um evento a mais para baianos e turistas e está consolidado na agenda dos grandes eventos de Salvador”.

Se grande público é sinônimo de carisma e popularidade, Salvador não tem do que reclamar. Do alto dos seus 466 anos, reuniu uma multidão de 90 mil pessoas para comemorar seu aniversário. Festeira que só, não se contentou com apenas um dia de shows. Eclética, fez questão de ter diferentes ritmos. E pra atender a tantos filhos queridos, festejou com shows, no fim de semana, em vários cantos da cidade.

O largo e o gramado do Farol da Barra ficaram lotados no sábado à noite. Ruas internas e parte da avenida Oceânica, inclusive de onde não se podia ver o palco, também foram tomadas. 

Um público estimado pela Prefeitura em 50 mil pessoas foi ao show mais esperado do aniversário  de Salvador: o de Maria Bethânia. A Polícia Militar estimou 35 mil pessoas. “A Barra lotou. Maria Bethânia deu um público que eu não vi nem no Réveillon”, comemorou o presidente da Fundação Gregório de Matos, Fernando Guerreiro.

A ilustre santamarense fez um show gratuito na primeira capital do Brasil depois de 15 anos. Na multidão, gente de tudo quanto é canto. De turistas ingleses a uma amiga de infância da cantora. “Brincava com ela bem pequenininha, lá em Santo Amaro. Hoje, sigo por onde posso”, disse Ednal Santos Lima, 69 anos. 

“Meu nome é Ednal, mas ela me conhece como Nal. Bote aí”, pediu, acompanhada de outras 19 santamarenses. O turista inglês, por sua vez, estava boquiaberto. “Eu sei que ela é uma das maiores cantoras do seu país. Mas assim ao vivo é demais”, espantou-se Neil Bregman, 39 anos.

No meio do público, que acompanhou letra por letra os sucessos da diva, gente de todas as idades. A multidão chegava a se aglomerar atrás do palco e na virada do edifício Oceania, além da rua Marques de Leão. Pessoas com deficiência física tiveram um lugar reservado, com visão privilegiada do show. 

“De cima não dava nem para ver o chão. Estava muito adensado, entre quatro e cinco pessoas por metro quadrado. Diante da área total ocupada, acreditamos que tinha 50 mil pessoas”, explicou o presidente da Saltur, Isaac Edington.

Bethânia mostrou que continua a mesma. Em sua voz, sucessos como  Negue, Gostoso Demais e Dona do Raio estremecem qualquer coração. Mas quando Margareth Menezes e Mariene de Castro subiram ao palco, muitos se emocionaram, especialmente na homenagem à cidade, com É d´Oxum.

Um presentão para a economista Lorena de Castro, 57 anos. Aniversariante do dia, foi cedo, com seis amigas, todas com seus banquinhos, esperar a apresentação. “Não é todo dia que a gente tem Bethânia de graça, né?”.

A santamarense reservou uma surpresa para os minutos finais do show. O público ouviu o rufar dos tambores e a banda Didá subiu ao palco para fechar a noite com a canção O Que é, O que é, de Gonzaguinha. Depois, o público foi surpreendido por dez minutos de show pirotécnico.Mas a festa foi além da Barra.

O campo de futebol da Pronaica, em Cajazeiras X, acostumado a sediar clássicos do futebol de várzea de Salvador, deu lugar, anteontem à noite, a outro tipo de espetáculo: o show do cantor Daniel. “Se eu gosto dele?! Ôxe, amo de paixão!”, dizia Jéssica Bonfim, 24 anos, enquanto esperava ansiosa pelo cantor. Qualquer movimento no palco era o bastante para interromper a conversa por achar que era o ídolo chegando. “Ai, meu Deus! Já pensou se ele canta pra mim?”.

Acompanhado da esposa, o aposentado João Roberto de Carvalho Santos, 54, morador da redondeza, disse que era raro ter uma chance de um show daqueles ali. “No dia a dia, nossas opções de lazer são umas competições que têm no campo ou os bares mesmo”.


Às 20h20, Daniel subiu ao palco e tirou do baú um dos primeiros sucessos: “Desejo de Amar”. Prato cheio para os casais apaixonados, ele cantou muitas baladas românticas. Mas não faltou o Parabéns a Você. “Salvador tem uma energia diferente”, disse. 

A prefeitura estimou um público de 15 mil pessoas. A PM calculou 13 mil. Na Boca do Rio, segundo a prefeitura, 15 mil foram ver o É o Tchan. Por Alexandre Lyrio e Roberto Midlej.



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