quinta-feira, 23 de abril de 2015

Igreja arménia canoniza 1,5 milhões "de almas vítimas do genocídio"


A Igreja arménia vai canonizar hoje 1,5 milhões de vítimas do genocídio arménio perpetrado pelos turcos otomanos, na véspera das comemorações oficiais do centenário dos massacres, apesar das críticas da Turquia, que rejeita a ocorrência de um genocídio.

"As almas das vítimas do genocídio vão pôr fim encontrar o repouso interno", referiu citado pela agência noticiosa AFP Vardoukhi Chanakian, 68 anos, empregado nos serviços sociais de Erevan, a capital arménia. Esta canonização, que vai ocorrer no final da tarde de hoje perto de Erevan, será a mais importante, em termos numéricos, jamais decidida por uma igreja cristã.

Na sexta-feira, milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo diversos chefes de Estado e de governo, vão prestar homenagem às vítimas destes massacres iniciados há 100 anos.
"Em 23 de abril vai ter lugar a canonização dos mártires do genocídio arménio", anunciou a Igreja apostólica arménia, que apelou a todos os arménios a "participarem piedosamente neste acontecimento histórico".

O ofício da canonização será celebrado pelo chefe da igreja arménia, o catholicos Karekin II, em Etchmiadzine, a cerca de 22º quilómetros de Erevan e num edifício do século IV considerado a mais antiga catedral cristã do mundo. Ao canonizar estas vítimas "a Igreja limita-se a reconhecer os factos, isto é, o genocídio", declarou na quarta-feira Karekin II.

"Para nós, arménios, é uma obrigação moral e um direito recordar-nos de 1,5 milhões dos nossos que foram mortas e centenas de milhares de pessoas que sofreram provações inumanas", sublinhou por sua vez o Presidente arménio, Serge Sarkissian.

O início da cerimónia estava previsto para as 17:00 locais (14:15 em Lisboa), uma escolha simbólica em memória de 1915, o ano do início do genocídio, que continua a ser rejeitado pela TurquiaA versão oficial turca reduz a 500.000 o número habitualmente aceite de 1,5 milhões de arménios mortos entre 1915 e 1917, e insiste que foi resultado de uma violência étnica exercida em ambas as direções.



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