sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O culto da religião na América rural - Por Roberto Minervini

“Stop the Pounding Heart” fala-nos de fé através de uma comunidade insular que renega os hábitos do resto do Ocidente, ontem no Lisbon & Estoril Film Festival.

A experiência de Deus como máxima de sobrevivência é o retrato poderoso desta surpreendente obra de Minervini. A zona rural de Texas é habitada por uma série de famílias que vivem da ordenha das cabras, ranchos e de tudo o que a terra lhes oferece como modo de subsistência. 

Os Carlsons são uma dessas famílias de devotos cristãos e que ocupam o centro desta história, que navega entre o documentário e a ficção. Ao todo são 12 filhos, os de Tim Carlson e LeeAnne Carlson que desempenham as suas próprias vidas no filme. Sara Carlson é uma das filhas que está a passar a fase da adolescência e que se surpreende ao questionar a sua crença na religião que lhe ensinou todos os princípios e regras de vida desde que nasceu. 

Colby Trichel é um jovem cowboy da comunidade pelo qual Sara expressa ao espectador naturalmente, um interesse, uma inquietação interior que lhe despoleta uma séria conversa com a sua progenitora.

Com “Stop the Pounding Heart”, o cineasta italiano Roberto Minervini completa a sua trilogia de estilo documentário sobre Texas e os seus habitantes, em conjunto com as obras Low Tide (2011) e The Passage (2012).

Dificilmente se crê que qualquer outra zona rural na Europa consiga viver da maneira que os Carlsons e os vizinhos vivem naquela comunidade rural do Texas. A autosubsistência (mesmo com a venda dos produtos feitos no campo em feiras) e devoção da bíblia e da experiência de Deus são as linhas orientadoras da vida real destas pessoas do Sul americano. Tradições e valores como a importância das armas, o papel subserviente e de apoio ao homem são uma prática comum e ensinada pelos próprios às novas gerações.

Tim, LeeAnne e Sara estiveram presentes na sessão de dia 14 do filme no Cinema Monumental. Mencionaram o facto de confiarem no realizador para exporem a sua vida daquela maneira, apesar de não ter sido uma novidade para eles. Sara revelou que, entre festivais e 12 visualizações do filme, apenas nas últimas percebeu a dimensão e interpretação que o realizador pretendeu direccionar o espectador sobre a realidade que filmou daquela zona e dos seus familiares e vizinhos.


O filme, em Competição no Lisbon & Estoril Film Festival, repete hoje, dia 15, às 14:15h, também no Cinema Monumental. 

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