sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Fechado e inquieto, campo-grandense ganha em religião novos amigos – Por Lidiane Kober

Muitas vezes fechados e inquietos, os moradores de Campo Grande vem descobrindo na religião um caminho para formar novas amizades e construir grupos sociais. 

Até as coincidências históricas ajudam e, apesar de ainda serem maioria na cidade, os católicos vem perdendo espaço e o momento é favorável para a ascensão dos evangélicos. Hoje, a Capital é a sétima com maior percentual de adeptos da religião, que somam 239.882 fieis, 30,5% da população do município.

As explicações para a identificação com as teorias dos evangélicos são diversas e algumas vêm de um passado bem distante. Coincidentemente, segundo o sociólogo Paulo Cabral, justamente no ano de emancipação política e administrativa de Campo Grande, que completou 115 anos, o Estado Brasileiro deixou de ser católico para se tornar Laico.

Na mesma época, conforme o sociólogo, muitas ordens religiosas, especialmente os protestantes, começaram a vir para a América do Sul. “Campo Grande pegou a expansão das igrejas protestantes”, comentou.

Além disso, Cabral associa a identificação com a religião o fato de a cidade de composta por muitas pessoas de outros estados. “A Capital é formada por sucessivas levas de migrante e o migrante é um sujeito inquieto, só fato de mudar mostra essa inquietação e a abertura a mudanças, inclusive, de religião”, analisou.

O sociólogo também relacionou a ascensão dos evangélicos a estudos sobre o fenômeno da expansão religiosa, que apontam que, enquanto a igreja católica era omissa com a população pobre, as evangélicas procuravam dar suporte, principalmente, aos migrantes rurais.

“As igrejas evangélicas recebiam e acolhiam como irmãos, ou seja, a igreja se torna um canal por meio do qual o migrante faz passagem do meio rural ao urbano, graças a prestação utilitária”, frisou.

Além disso, ele não deixa de lembrar da estratégia de usar os meios de comunicação para expandir os ensinamentos. “No final dos anos 70, o pastor Davi Miranda passou a alugar horários ociosos da televisão e, a partir daí outros perceberam que isso é o canal. É claro que a estratégia só vingou graças a um discurso competente e a postura despida de preconceito”, disse.

Novas amizades

Pastor da Primeira Igreja Batista, uma das mais populares da cidade, Ronaldo Leite Batista vê no acolhimento dos evangélicos uma forma de o campo-grandense deixar de lado o jeitão fechado para construir novas amizades.

“Quem vem de fora, acha que o campo-grandense é meio fechado, mas depois que fica amigo, fica bem amigo, por isso, ele se identifica com o cuidado especial, atendimento personalizado, com células e grupos de amizades que encontra nas igrejas”, comentou.

Para o pastor Ronaldo, as “pessoas precisam de amor e cuidado”. “A sociedade tem tendência à massificação, porém, quando vem à igreja tem um atendimento específico sobre problemas de saúde, financeiro, profissional ou de drogas e recebe uma oração. Com isso, a família fica grata e se une em torno da igreja”, destacou.

E foi justamente a procura por um amor maior e um papel na sociedade que cativou a estudante Carol Flores, de 22 anos. Ela era católica, mas, há dois anos, trocou de religião. “Todo mundo procura Deus, procura amor e acho que as pessoas se sentem amadas e acolhidas nas igrejas evangélicas”, avaliou.

Também a cativou a possibilidade de escolher que a estudante experimentou na religião. “Os jovens cristãos protestantes não têm ideias colocadas em uma caixa, temos mais liberdade de se expressar, dizer o que sentimos”, comentou.

Essa possibilidade, na vida de Carol, resultou em “um novo olhar para as pessoas, principalmente, para as abandonas, as que estão nas ruas”. “Meu encontro com Deus me fez tomar uma posição para todo mundo sentir esse amor e, hoje, participo do projeto “Nova”, que trabalha com mulheres vítimas de abuso sexual e violência sexual”, relatou.

Profecia

Há 17 anos como pastor, Walter Sérgio Ribeiro de Lima, mais conhecido como pastor Serginho, concorda com o força do amor pregado entre os evangélicos, contudo, vai ainda mais longe e crê em profecia para “o Brasil, para Mato Grosso do Sul”.

“Acreditamos que tem uma palavra, uma promessa para o Brasil e Mato Grosso do Sul como um celeiro”, afirmou. “Baseado nessa palavra, temos nos dedicado a evangelizar e isso está cativando o campo-grandense, que encontra paz interior e um recomeço na palavra”, completou.







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