quinta-feira, 21 de maio de 2015

Cristãos em mundo maometano - Por padre Belmiro


Os muçulmanos, cerca de 1,200 biliões, constituem uma das religiões mais seguidas no mundo, depois dos cristãos, 2,000 biliões.

Dividem-se em dois grupos maiores: os sunitas (85%) e os xiitas (10%). Os sunitas inspiram-se nos ditos e feitos, “suna”, de Maomé, e por isso se apresentam como os autênticos muçulmanos. Subdividem-se, por sua vez, em quatro escolas legais e várias seitas.

Os xiitas, por seu lado, fundam a sua legitimidade na única descendência de Maomé, Ali, primo e genro do profeta. “Xia”, partido, de Ali, abarca também várias seitas mas três grupos principais, sendo os “Imamis” o maior. 

Os aiatolas são os portadores da legitimidade desde o séc. IX. Esta versão da fé maometana, heterodoxa para os sunitas, é religião oficial da República Islâmica do Irão. Também presente, em grandes comunidades, no Iraque e no Líbano.

Para os sunitas, em geral, os xiitas são muçulmanos heréticos, por isso condenados ao extermínio, como os cristãos, judeus e todos os descrentes. O Estado Islâmico (EI), de conteúdo sunita, representa hoje a maior e mais cruel ameaça para o mundo ocidental. 

Síntese, ou monturo, do pior que tem havido na “jihad” (a guerra santa), é al-Qaeda e para além de bin Laden. Controla vastas superfícies perdidas pelo Iraque e pela Síria, e proclama-se califado. Sem fronteiras, o seu alvo é planetário. Sua estratégia, o terror. A cultura ocidental, para os terroristas, é o mal absoluto. Eles são, para o Ocidente, o inimigo perfeito.

Nas suas fileiras há cerca de 20 mil jovens voluntários, vindos de países diferentes. Não admira, é o fascínio do totalitarismo. Há cada vez mais gente frustrada, alienada, sobretudo em bairros periféricos, que procura um amanhã imaginário para se realizar.

Os regimes totalitários, como o nazismo e o marxismo, ontem, o Estado Islâmico, hoje, exploram este mecanismo para absorver indivíduos que não se sentem existir e estão dispostos a deixarem-se desaparecer num Todo que lhes dê razão de ser. O sentido de existir.

Uma das consequências mais funestas do Estado Islâmico é o pavor que semeou por toda a parte, no Médio Oriente, no Magrebe e noutros países africanos, o que provocou ondas de refugiados que procuram a Europa. 

É verdade que se expõem a grandes perigos, são explorados por passadores criminosos. Mas, como na mais pequenina fresta assoma a luz, estes migrantes agarram-se à réstia de liberdade que os seus olhos enxergam. São os fugitivos do terror.

Tão importante como dar-lhes acolhimento, no “Far-West” da Europa e do mundo livre, é garantir a segurança e um modo digno de viver aos milhares de cristãos que desejam continuar, como cidadãos de pleno direito, nessas terras que habitam desde o início da Cristandade, portanto muito antes da chegada do Islão.

Unidas no martírio, as diversas comunidades cristãs presentes no Médio e Próximo Oriente, coptas, arménios, ortodoxos e católicos, sob a presidência do Papa Francisco, encontraram-se, em Bari, junto ao túmulo de São Nicolau, para preparar um diálogo de autoridades cristãs e muçulmanas, com o objectivo de uma paz duradoura.

Enfim, esta versão horrorosa e perversa do Corão é de tal maneira desumana que tem provocado centenas de deserções da horda terrorista. Em finais do ano 2014, o Estado Islâmico executou 200 militantes que tentaram fugir e regressar aos seus países. A situação agravou-se no ano corrente, constituindo um sério golpe para os planos do EI.

Surpreendente é um efeito colateral da violência. Desiludidos com esta evolução sanguinária do islamismo, milhares de muçulmanos na Argélia procuram a Bíblia e convertem-se ao cristianismo. Ou vão às igrejas para se informarem da fé cristã. Tudo secreto. 

O principal importador de Bíblias nesse país confiou a uma revista britânica, “The Tablet”, que muçulmanos, às centenas, aos milhares, se interrogam sobre a fé corânica, depois de verem as atrocidades cometidas em seu nome. Começam a sentir, cada vez mais, que esta pode ser a “verdadeira face do Islão”. Que eles rejeitam. Entretanto, os novos conversos já se aproximam dos 200 mil.






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